Vida dura a desse tal Zé Bob, da novela das oito. Aquela, que começa às nove. Como jornalista e telespectador, não poderia deixar de dar alguns pitacos sobre este personagem tão emblemático da trama global, "A Favorita".
Zé Bob, vivido por Carmo Dalla Vecchia, é o que podemos chamar de profissional multimídia. Para começar, escreve, fotografa e dirige o carro do jornal. Um sonho para qualquer empregador.
Fora isso, ele desconhece o significado da palavra editoria. Ao longo da novela,já atacou de repórter policial, colunista social, articulista político e até em outras mídias, como mediador de debate radiofônico.
Já a redação de seu jornal é digna de um capítulo à parte. Autêntica casa da Mãe Joana, está a mercê de toda sorte de indivíduos que queiram ir lá, para tratar de assuntos dos mais esdrúxulos com o mancebo.
Sem qualquer cerimônia,Zé Bob "despacha" com sua namorada magnata, é visitado pela ex-presidiária (com duplo sentido) que quer reatar os pegas do último verão, sai no tapa com o "ex" da atual... E eis que nenhum de seus colegas de redação estranha. Sequer perguntam o que está acontecendo...
Ah, sim. De vez em quando, a editora cobra sua presença, mas ele sustenta que "jornalista bom é jornalista na rua". Ou seja, melhor vagar pelas ruas da pequena e pacata São Paulo para tentar achar um furo - e ele sempre acha, claro - do que ter fontes e ir ao local certo, na hora certa.
E eu pensando que a dantesca cena de José Wilker "coordenando" a coletiva de Susana Vieira em "Duas Caras", batendo com o sapato na mesa para pedir silêncio aos jornalistas, havia sido o fundo do poço... Ledo engano.
Quando se trata de enrolar noivas, as histórias são diversificadas: "Casamos quando eu tiver dinheiro!", ou "Assim que eu arrumar um emprego melhor!" e o tradicional "Caso quendo terminar os estudos!"
Nada porém se compara ao empenho de Shiv "Pappu" Charan, um indiano de 74 anos em se manter solteiro. O '"drama" de pappu começou em 1969, quando prometeu a sua namorada que se casaria assim que se formasse na Escola para Adultos. Este ano Pappu foi reprovado pela 38º vez.
Os anos passaram, a namorada desistiu de se casar com Pappu, mas o indiano, considerado o pior estudante do mundo, não desistiu: "Não é de minha natureza quebrar minhas promessas". O solteirão completa: "Só me casarei quando conseguir passar de ano."
Se de vez em quando os taxistas se divertiam às custas de um ou outro fulano que bebeu um pouco demais, agora a situação se complicou. A cena inusitada, que antes poderia render algumas gargalhadas e uma certa dose de solidariedade (e não de whisky), agora está prestes a se tornar insustentável.
A nova Lei Seca (seca, mas seca mesmo) mal foi implantada e os taxistas já reclamam de ter que cuidar de dezenas de bêbados por noite. É o efeito colateral do aumento do movimento.
Sites como o G1 e jornais como o Jornal da Tarde já publicaram apuros passados por motoristas que circulam pelas regiões da Vila Madalena e Vila Olímpia, em São Paulo.
A questão é a seguinte: se antes o cidadão tentava manter o mínimo de compostura para tentar voltar prá casa, agora, com o dinheiro da volta separado no bolso, não há mais limites etílicos. É beber até cair... no banco traseiro do táxi.
Um dos taxistas entrevistados relatou a incrível tentativa de fuga de um passageiro, que foi proibido de fumar dentro do carro e resolveu abrir a porta e sair. Só esqueceu que o táxi estava em movimento e em plena Rodovia Castelo Branco. Por sorte, ele intercedeu a tempo de evitar uma tragédia.
Pelo visto, os taxistas terão de receber um treinamento especial para situações típicas do pós-balada:
"Ai, moço, terminei com ele..."
"Vamos para.... para... Ah, me deixa em algum lugar, vai"